29/07/2011

A CIDADE DOS HEREGES - RESENHA

Austurias, Espanha em 1348, um grupo de homens e mulheres liderados por Aurélio e Christine chegam a um vilarejo chamado Vila de Velayo onde se instalam em um castelo herdado por Aurélio, ali os costumes eram totalmente diferentes, a primeira vista ficaram satisfeitos com o novo ambiente e logo dividiram as tarefas entre homens e mulheres de acordo com as habilidades de cada um, sendo que os trabalhos mais árduos ficaram a cargo dos homens. Essa forma de divisão de tarefas foi mantida durante os primeiros tempos.
Algo que chamava a atenção era que naquela comunidade o amor entre eles imperava, era mais considerado do que qualquer outra coisa e de onde aquele povo surgiu, eles eram unidos pelo amor a cristo. No vilarejo não havia regras se podia tudo, porém Aurélio e Christine se amavam de uma forma transparente eram companheiros e logo chamaram a atenção da comunidade, pois, lá os romances duravam uma noite apenas, ninguém tinha compromisso com ninguém. Vendo Pois este lado do livre arbítrio chegou à conclusão de que a abstinência era a causa de todos os males e pecados.
Diante disso Aurélio decidiu pela libertinagem do povo da vila, mesclando os costumes daquele povo com o seu, para o conde Afonso governador daquela localidade foi um bom negócio, pois, com tal atitude suas finanças prosperaram muito. Depois dessa decisão Aurélio subiu no conceito de todo povo sendo até comparado ao nazareno e isso lhe trouxe muita dúvida ao seu coração, porém não tomou conhecimento disso, pois para ele o que gerasse dúvida era simplesmente o caminho para verdade. Logo após a descida do povo do castelo não demorou muito para que a vila fosse motivo de chacota nas redondezas, ficando conhecida como vilaviciosa.
Já o conde Afonso que era o governador não tomou conhecimento das chacotas, pois, para ele era lucrativa toda aquela situação a qual se encontravam o povo. A dificuldade de Aurélio era com relação a sua vida conjugal, pois, era dedicado à sua esposa, de um modo diferente daquela vida do povo, ele a amava verdadeiramente, nunca tomando decisões por si mesmo, mas sempre a consultava. Não era esse o costume daquele povo, ele teve muita dificuldade em entrar naquele mundo onde se podia tudo, pois de onde ele vinha mulheres e homens viviam separados, e conviviam debaixo de uma hierarquia rígida.
Aurélio sempre respeitou a sua amada, pois a amava muito e quando se viu na liberdade de poder fazer tudo, veio a entrar em conflito consigo mesmo, não deixando de pensar naquele tempo em que vivia enclausurado e na sua mente vinha constantemente às marcas do passado e não conseguia se libertar e coabitar de acordo com a lei daquela vila, pois quanto mais a amava mais ficava distante, porém Christine soube esperar, pois também o amava.
Eles optaram mesmo pelos princípios paulinos, onde, pois o amor estava predestinado a substituir a lei obcecada. Paulo já pregava que a chegada de Cristo iria quebrar para sempre esses ritos e o amor deveria imperar. Com o tempo a vila passou mesmo a se chamar vilaviciosa, pois seus fundadores entraram numa promiscuidade sem fim que não ficaram a dever nada a Sodoma e Gomorra, nem os conselheiros com suas autoridades conseguiram dar um jeito no governo do conde Afonso.
Já na França em 1349, comentários sobre Christine havia chegado aos ouvidos de seu pai, que ela liderava um grupo de hereges, ele não vacilou e partiu com um pequeno exército em direção a Astúrias, ele tinha a convicção de que se a trouxesse e a entregasse as autoridades ele provaria sua lealdade definitiva com o altíssimo, pois isso lhe daria o aval para a construção de seu templo.
Em 13 de julho de 1349 entraram no pequeno e desguarnecido vilarejo onde a maioria eram mulheres e crianças e destruíram tudo que havia pela frente subiram para o castelo, matando todos que encontrassem pela frente, sempre a procura de sua filha Christine. Aurélio também a procurava quando se deparou com o pai de Christine, o duque quisera matá-lo, porém foi salvo, pois ele viu em sua face a face de Cristo, tal ação fez com que o capturassem vivo.
Foi quando apareceu Christine desejando morrer junto com seu esposo sem saber que o próprio pai o guardava, elevando-a tentou enforcá-la Aurélio interviu, sendo impedido por um soldado que foi morto pelo próprio comandante e deixou sua filha agonizando e enfiou uma espada em seu próprio soldado. O duque ficou protegendo e até mesmo mandou que ajudassem Christine por achar que Aurélio era o nazareno. Depois daquele sangrento dia naquele vilarejo só restaram Christine e Aurélio que foram aprisionados na torre do castelo em Lirey.
Porém o duque não deixava faltar nada para Aurélio cuidava mesmo até de sua aparência. Sendo o contrário o que acontecia com Christine vivia acorrentada e quase não se alimentava. Eles se comunicavam batendo com pedras na parede, porém um dia não se ouviu mais as batidas das pedras. Aurélio pediu ao duque para vê-la, e ele o levou até ela, mas ela estava para ser enforcada, então ele implorou e teve que fazer o que o duque lhe ordenara.
A vontade do duque era que ele fosse julgado como Cristo e condenado, passando por todas as humilhações sendo açoitado, cuspido, carregando uma cruz e passando por tudo aquilo que cristo havia passado. Ele carregou a cruz e no final o próprio duque o pregou na cruz com pregos nos pulsos e juntando seus pés os pregou. Levantaram a cruz e do lado dele estava Christine em uma forca já muito fraca e viu quando o seu pai o duque traspassou Aurélio com uma espada assim como fizeram Cristo, e ela vendo-o morto cai em sua própria fraqueza desfalecendo morrendo junto com seu marido. Aurélio depois de morto foi colocado dentro de uma gruta pelo próprio duque como se fosse José de Arimatéia, e Christine enterrada no campo sem cruz nem lápide.
O plano do duque era que com aquela aparência quase que perfeita iria fabricar um santo sudário. Depois de colocado na gruta o duque esperou três dias e o levou até um pintor de sua confiança para fabricar o milagre, porém não deu certo. Pois o corpo já estava muito inchado. O escultor pintor usando outra técnica conseguiu forjar o milagre, e quanto ao corpo de Aurélio o mesmo foi enterrado junto com o de sua esposa Christine. O plano estava perfeito e ele Levou o falso sudário para o bispo ver e aprovar, porém foi só abrir a tal arca e logo o bispo mandou que ele se retirasse com sua fraude.
O duque não desistiu e conseguiu uma audiência com o papa Clemente VI, que imediatamente não somente aprovou o falso milagre como também mandou construir de imediato um templo em Lirey. Em quatro anos o templo ficou pronto, chamava-se Santa Maria de Lirey a igreja do santo sudário. Mas antes de inaugurar, no dia 19 de setembro de 1356 foi travada uma batalha com os ingleses em que o duque caiu morto por uma espada que lhe atravessou o peito e o seu santo sudário falso não pode lhe proteger.
Mas a história não acabaria ali, sua mulher Jeanne de Vergy inaugura a igreja e se vê rica por conta dos visitantes atrás do santo falso sudário, o bispo Henri de Poitiers nunca havia engolido essa história de santo sudário e obteve a confissão do pintor desmascarando a farsa, porém tempos mais tarde depois da morte de Poitiers e com esquecimento do acontecido o manto foi novamente recolocado. Contudo o fiel sucessor do antigo bispo foi aos tribunais podendo demonstrar a fraude e obtendo a sentença definitiva dos juízes. Ainda há a exposição desse santo sudário, todavia ele leva os dizeres de que é apenas uma representação não se tratando de forma alguma do verdadeiro sudário. Por Wagner Brito.

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